O comentarista da tirada certa

No ano de 2020. Eu estava em um grupo de Indycar no whatsapp do meu amigo agricultor creepy quando falei que eu ia fazer um live blog dos treinos da Indy no circuito misto de Indianapolis. Isso chamou a atenção de um colega nosso que me convidou para comentar isso no Racing is Life. Este ser é o ami ancap. Eu estava desencanado do mundo por causa do meu cancelamento na F1tt por ter feito pergunta de piloto bonito para uma influenciadora em tom de vestiário masculino.

Eu penso nisso por que o amigo ancap me permitiu ter oportunidades de fazer as 24 Horas de Le Mans e Daytona no horário da madrugada no fuso horário brasileiro onde eu podia tocar o terror com piadas para maiores de 18 seja anos seja centimetros. Sem contar que salvava as escalas da Imsa, WEC e Nascar por ser um dos poucos comentaristas de ofício que estavam disponíveis para tais eventualidades.

Eu me aposentei do mundo dos comentários por ver que eu não teria chance no mundo onde público quer dados e fatos invés do espírito da resenha. Tanto que eu ajudava no bastidores do Racing is Life quando tinhas problemas técnicos no discord ao usarem a chamada de voz. Isso tudo caiu por terra ontem quando o meu amigo ancap junto com o catarina e o velho de cascadura iam comentar o clash da Nascar.

Com aquele espírito de camaradagem para ajudar os amigos. Eu fui comentar a corrida ao ouvir os pedidos para não fazerem piadas de cunho sexual porque o horário não permitia. Mas logo me vi nos velhos tempos onde podia ficar entendendo a corrida como uma forma de explicar para não brigar com a imagem. Isso me ajudou a desenferrujar após quase dois anos sem trabalhar em uma prova de forma regular.

Hoje, posso trabalhar com uma flexibilidade de horários para preservar o meu tempo para o nada. Isso me ajuda com as tarefas do dia onde posso me organizar. Não tenho mais a necessidade de ficar vendo as corridas. Posso estudar com mais tempo para não fazer besteiras. As tiradas saem mais naturais a medida dos fatos durante a prova. Isso me deixa mais tranquilo para comentar invés de ser mais um robô do esporte a motor.

As mentes fechadas BR

Em 2013, eu estava no meu grupo de grã-turismo no facebook quando encontrei um dos grandes amigos que fiz no mundo do esporte a motor como o Fern. Ele entendia de corridas e circuitos como ninguém com quem podia conversar por horas a fio. Foi por ele que me interessei pela supercars australiana ao entender a Holden e a Ford na época. Além de ficar lendo sobre as pistas europeias por sua sabedoria do grid.

Em 2025, eu estava conversando com a minha amiga Lau quando ela lamentava que pouca gente no BR entendia de DTM. Logo arrematei dizendo que temos muita gente com mente fechada para a DTM. Esse diagnóstico vem da nossa fandome que não aceita críticas a sua categoria predileta. Isso cria rusgas e birras como a turma da Formula E que fica irritada por que as corridas não tem o dito engajamento nas redes sociais.

Temos uma monocultura do esporte a motor como a Formula 1. Quando eu estava em um grupo de Nascar em 2013. Eu tinha um amigo que falava que os fãs da F1 são uns merdas. Olha que comecei a escrever sobre a categoria no vida de paddock no meu primeiro emprego como redator. Quando trabalhei como comentarista tanto no Bandeira Quadriculada quanto no Racing is Life. Muita gente dizia que não tinha jeito pra tal. Mas ficavam com invejinha por eu falar de esporte a motor de Monza a Daytona.

Com o advento das redes sociais. Muitas pessoas criam conteúdos sobre o esporte a motor para cavar uma vaguinha na grande mídia. Isso não me interessava por quem me conhecia por ser instável e perigoso para transmissões ao vivo. Além de ter vários amigos melhores do que eu com o microfone na mão para comentar sobre as corridas. Mas sinto uma ausência de talento para poder falar sobre carros e seus pilotos.

Em 2013, eu ficava no Vida de Paddock organizando o resumo dominical junto com o meu chefe manauara. Eu tinha vencido o concurso para novos redatores e isso me ajudou a ter uma disciplina para escrever nos fins de semana sobre o mundo das corridas. Em 2025, eu vejo amigos lamentando sobre poucas pessoas conhecerem a DTM e a Formula E. É a monocultura das mentes fechadas do esporte a motor BR.

Aprenda outro idioma, gearhead….

Meu primeiro trabalho no mundo do esporte a motor foi como tradutor para o grupo do facebook do Nascar Race Brasil com o meu estimado amigo trovador. Eu consegui fazer uma tradução capenga e fui elogiado por ter sido melhor do que o Google Tradutor (algo que me rendeu um fala atravessada de um colega de profissão no mundo digital). Foi ai que comecei a postar textos sobre o mundo das corridas quando fui aprovado pelo Vida de Paddock para ser redator.

Um dos grandes problemas naquela época era que os fãs da Nascar no Brasil não dominavam o inglês em sua fluência. Ou seja, eles dependiam da benevolência da Fox Sports na época para assistir as corridas em português. Eu não tinha esse problema por entender a transmissão americana por ter uma experiência de ter treinado os meus ouvidos assistindo a BBC World News e a Al Jazeera English para ter pautas para o meu blog em inglês.

Hoje, muitas pessoas não tem um segundo idioma bem dominado. Eu vejo isso por ter estudado inglês aqui em Pindamonhangaba em uma escola de idiomas que ficava perto de casa. Além da minha curiosidade sobre as culturas estrangeiras. Tenho um grande amigo como o social democrata que faz um clipping (jargão jornalístico para um compilado de reportagens para ler durante o dia) pra enviar para os seus leitores.

Eu já lhe falei para montar uma newsletter onde possa cobrar pelo serviço (isso é um palavrão no nosso país onde poucas pessoas pagam por serviços digitais como assinaturas de portais de noticias devido ao nosso pequeno poder aquisitivo). Nossa renda não permite investirmos em uma educação decente onde poderíamos aprender idiomas em nosso curriculo escolar ou para investirmos em capital humano como forma de mobilidade social onde as pessoas possam ascender socialmente por seu esforço e oportunidades.

Logo nos vemos em uma situação em que a renda e a precariedade de nossa educação não permitem o florescimento de uma imprensa alternativa por causa da baixa produtividade (nós ganhamos 21 dólares por hora trabalhada enquanto os canadenses ganham 56 dólares em um mesmo serviço onde levamos 1 hora para executar enquanto o americano faz em apenas 15 minutos, ou seja temos um quarto da produtividade americana).

Eu lembro dos meus tempos nos grupos de nascar no facebook onde eles não tinham domínio de um segundo idioma como o inglês para sobreviver a grade de programação da Fox Sports que era entupida de futebol. Quando eu assistia a transmissão americana. Eu sempre tinha tiradas sobre os comerciais da tv americana como as picaponas da Big Three ou dos remédios para evitar a paumolescência masculina em estágio avançado.

Um problema tão complicado de ser resolvido com investimentos em infraestrutura, educação, reformas economicas e sociais. Então, rezemos para alguém pegar a nascar para transmitir no idioma de Tiradentes…

O mundo além da Formula 1

No começo da minha carreira como redator de esporte a motor. Eu descobri a Nascar por causa da minha curiosidade com a Daytona 500. Achei um grupo de fãs das corridas nos circuitos ovais no facebook e tive a sorte de ter alguém como o Felipe Pires para me ensinar tudo sobre os carrinhos da Ford, Chevrolet e Toyota. Isso me abriu um mundo além da Formula 1 como a Supercars australiana e o rally Dakar.

Mas estou no Twitter onde vejo a turma da F1tt tendo dificuldades para entender outras categorias do esporte a motor. Muita gente pede mudanças nas regras da Indy sendo que a lógica americana é diferente da concepção europeia da Formula 1. A F1tt fica com aquela fama de chatos dos monopostos por não viverem as corridas em sua plenitude onde as pessoas gostam de assistir as motos da Moto GP e os hypercars do WEC.

Muita gente não tem paciência para explorar o vasto mundo do esporte a motor. Isso em um momento onde os fãs da velocidade passam por situações constrangedoras como os homens desqualificando as mulheres sobre as perguntas sobre pilotos bonitos (já cometi esse pecado que me rende um exílio da F1tt até hoje, mas passo bem) invés de permitir que elas possam mostrar seus conhecimentos técnicos sobre um carro.

Isso fica claro onde vemos as pessoas querendo mostrar um vasto conhecimento sobre uma determinada categoria invés de ajudar o próximo a entender sobre sua categoria preferida com uma explicação simples e didática sobre o conceito dos carros junto com as regras do jogo. Mas logo notamos que as coisas não são tão perfeitas nas teorias dentro de nossas mentes onde as pessoas são solicitas quando lhe convém.

Há um mundo a ser explorado como nos versos de lusíadas do estimado poeta lusitano Luís de Camões…