Eu vi a corrida na TV e não cornetei no Twitter

Os pilotos Pierre Gasly e Esteban Ocon comemorando o P3 e P2 respectivamente nos boxes.
Os pilotos da Alpine Pierre Gasly (esquerda) e o Esteban Ocon (direita) na comemoração do P3 e do P2 respectivamente da equipe francesa no GP do Brasil.

Uma das coisas estar sem smartphone nesses dias é ficar livre da necessidade de comentar tudo nos microblogs a todo momento como em um multiverso da loucura. Hoje, eu levantei cedo para assistir a classificação do GP do Brasil e fui deitar no meu sofá entre o intervalo de 3 horas entre o evento matutino e a corrida dominical. Eu estava offline como dissemos atualmente e vi a corrida sem ser incomodado por aquele impeto de comentar sobre tudo.

A corrida foi boa para assistir por causa do pandemônio climático que se instalou em Interlagos. Ver Max Verstappen dando uma aula de pilotagem na chuva é algo que me agrada ao ver um piloto ter uma habilidade em condição adversa. Pois bem, eu fui pegar as fotos para o meu acervo pessoal para dar uma olhada no Twitter. Então, começaram aquele carinho brasileiro em cima de Lando Norris por ter feito pouco caso com a vitória do Mad Max.

Não o bastante. Eu fui ver um amigo britânico com demência vascular que faz campanha para arrecadar fundos para pesquisa cientifica sobre tal doença que lhe acomete. Eu e ele falamos sobre formula 1 no Twitter antes do diagnóstico. Eu lhe perguntei sobre a corrida. Ele não assistiu por detestar a Channel 4 e não tem a Sky Sports F1. Logo me lembrei que ouvia a BBC Radio 5 Live por não ter paciência com as TVs britânicas.

Nesse rolo entre a Liberty Media e a Band onde tudo foi acertado entre ambas as partes. Eu notava que o narrador da emissora do Morumbi anunciava a plenos pulmões que a temporada 2025 será exibida no canal 13 de São Paulo. Mas já vejo aquelas informações sobre a crise financeira no grupo Bandeirantes de comunicação que o algoritmo do Google/Youtube me recomenda para acompanhar aqueles canais de fofocas sobre a TV.

Ainda bem que estou sem um smartphone em minhas mãos até o presente momento…

Teoria marxista pra fins de paddock

Nós temos uma leitora com a minha amiga acadêmica. Ela entende da teoria marxista como poucas quando converso com ela no bluesky por causa do nosso elo comum intelectual que é a economia. Pensei nela com essa atual confusão entre a Globo e a Band em torno dos direitos de transmissão da Formula 1 onde eu e os meus amigos de pista estamos preocupados com tal entrevero do paddock.

Karl Marx junto com Friedrich Engels criaram o comunismo como uma forma de correção entre os direitos dos proletários perante a exploração da classe trabalhadora europeia por meio da revolução industrial onde as potências europeias usavam a matéria prima de suas colônias como uma forma de manter a sua manufatura e a sua economia pujante.

Nos miúdos da Formula 1, os brasileiros nos anos 1970 assim como os argentinos da década de 1950 tinham grandes pilotos como Emerson Fittipaldi e Juan Manuel Fangio respectivamente que desbravaram as pistas europeias. Mas tais nações sul-americanas perderam espaço para os países ocidentais cujo os custos com karts e afins eram amortizados por federações locais como foi na França dos anos 2000.

Tal América do Sul que mandava pilotos e podia mandar suas equipes de tv para cobrir a Formula 1 em voos de avião como a saudosa Varig em um tempo onde as aeromoças eram desejadas (desculpe por ar heteroerótico). Mas os custos foram para cima com as transmissões via satélite junto com a secura de novos pilotos talentosos nessas bandas.

Karl Marx previa uma economia globalizada em sua obra O Capital. Mas não previa um socialismo real na União Soviética que virou a Rússia onde Putin queria uma corrida no Igora Drive de São Petersburgo no lugar do balneário de sochi, que era um bom local para o Stalin passar as suas férias em uma Dacha.

A União Soviética era um caso oligárquico como disse Roberto Morena para Sebastião Salgado durante a sua passagem por Moscou como foi relatado na entrevista do fotórgrafo para a Playboy de agosto de 2014.

Proletários e Gearheads, uni-vos

Eu vou escutar a BBC

Durante a pandemia em 2020. Eu estava desolado com o cancelamento da F1tt por ter feito a famosa conversa de vestiário masculino para uma convidada de um podcast onde eu trabalhava. Como eu tinha sido excluído da turma que escutava a Bandnews FM. Eu estava irritado. Mas por aquelas coisas da vida. Eu achei as rádios da BBC no Tunein sem o bloqueio por geolocalização para transmissões esportivas. Eu escutei o GP da Itália de 2020 pelo app.

Para mim, isso não seria novidade por estar independente da transmissão brasileira. Um grande amigo socialdemocrata me falava que eu estava sendo elitista como a guilhotinada rainha Maria Antonieta quando falou se o povo não tem pão, que comesse brioches. Mas na verdade, eu estava sendo um leninista com o seu slogan paz, terra e pão após a revolução bolchevique no afã de modernizar a Rússia pré-soviética.

Eu ficava ouvindo as transmissões da BBC para praticar o meu inglês como uma forma de me comunicar com o meu amigo britânico no Twitter porque estava ocupado com o trabalho na hora da corrida dependendo do fuso horário. Nossas conversas no Twitter sempre tinham uma coisa sobre elogiar o David Coulthard e Damon Hill junto com as boas reportagens de Jennie Gow no pit-lane que ele preferia ouvir do que assistir o gridwalk do Martin Brundle.

Por mais que o momento no Brasil onde a Band não continuará com as transmissões para a volta a Globo com as narrações barulhentas. Então, vou ficar escutando a BBC como nos velhos tempos….