Somos impuros, mas não fala para a FIA

Imagem com ares santificados de Charles Leclerc e Oscar Piastri na fanzone de Marina Bay. Fonte: BBC Sports

A humanidade sempre foi imperfeita tanto nos pecados quanto na boca suja. Com a nova determinação da FIA de punir com serviços comunitários quem falar palavrões no rádio onboard durante as corridas da Formula 1 junto com o media day. Um dos punidos foi justamente Max Verstappen com o seu vasto repertório de xingamentos com analogia familiares tão comuns na avançada Amsterdã do mar do norte.

Quem reclamou disso foi Lewis Hamilton após mais uma presepada de Ben Sulayem onde o chefão da FIA afirmou quem fala palavrões é um rapper. Hamilton argumentou que tal fala do emirati é esteriopada pelo fato de rappers em sua maioria serem negros. Pois bem, logo para um ser que falou que mulheres não são aptas para serem pilotos em um post de seu site pessoal em 2001 que é requentada pela amada imprensa britânica.

Estamos em um momento onde as patrulhas ideológicas e puritanas nos rondam como se fosse um surgimento de uma nova língua como é retratado no livro 1984, de George Orwell (quando for citarem tal obra, dá uma lida pra evitar de ficar citando por orelhada). Os pilotos sempre foram um exemplo disso por ter uma vida ditada por seus assessores e empresários para serem os querubins que enfiam o pé na tábua em Monza.

Mas a vida não é perfeita. Nos Estados Unidos, a Nascar tem exemplos onde o politicamente correto foi mandado para o raio que parta com as famosas brigas de Tony Smoke Stewart que resolvia os problemas na pista como acidente de corrida na porrada como se fosse o filme Clube da Luta sem ter o lado escatológico de Chuck Palahniuk onde a escrita descreve o caos da humanidade com doses macabras de senso de humor.

O lado boca suja tem lado aglutinador quando vossa senhoria vê uma amiga mandando um piloto se phoder sem o menor constrangimento. Olha que conheço as minhas amigas de Formula 1 e elas se seguram para não mostrarem a venom interna onde xingam meio mundo a cada largada desastrada.

Ou seja, somos muitos FDPs, mas não fala para a FIA….

Eu vou escutar a BBC

Durante a pandemia em 2020. Eu estava desolado com o cancelamento da F1tt por ter feito a famosa conversa de vestiário masculino para uma convidada de um podcast onde eu trabalhava. Como eu tinha sido excluído da turma que escutava a Bandnews FM. Eu estava irritado. Mas por aquelas coisas da vida. Eu achei as rádios da BBC no Tunein sem o bloqueio por geolocalização para transmissões esportivas. Eu escutei o GP da Itália de 2020 pelo app.

Para mim, isso não seria novidade por estar independente da transmissão brasileira. Um grande amigo socialdemocrata me falava que eu estava sendo elitista como a guilhotinada rainha Maria Antonieta quando falou se o povo não tem pão, que comesse brioches. Mas na verdade, eu estava sendo um leninista com o seu slogan paz, terra e pão após a revolução bolchevique no afã de modernizar a Rússia pré-soviética.

Eu ficava ouvindo as transmissões da BBC para praticar o meu inglês como uma forma de me comunicar com o meu amigo britânico no Twitter porque estava ocupado com o trabalho na hora da corrida dependendo do fuso horário. Nossas conversas no Twitter sempre tinham uma coisa sobre elogiar o David Coulthard e Damon Hill junto com as boas reportagens de Jennie Gow no pit-lane que ele preferia ouvir do que assistir o gridwalk do Martin Brundle.

Por mais que o momento no Brasil onde a Band não continuará com as transmissões para a volta a Globo com as narrações barulhentas. Então, vou ficar escutando a BBC como nos velhos tempos….